A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) assinou um convênio com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e o Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), da França, oficializando a criação do Laboratório Internacional de Pesquisa em Eutrofização Marinha (IRL-Marel). A cerimônia foi realizada em janeiro no auditório do Núcleo de Estudos em Biomassa e Gerenciamento de Águas, situado no campus Praia Vermelha da UFF, em Niterói.
A ocasião contou com a presença da reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva; do reitor da UFF, professor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega; do presidente do CNRS, Antoine Petit; do representante do Consulado Francês, Vincent Brignol; e do delegado científico de Ecologia e Meio Ambiente do CNRS, Gilles Pinay.
Segundo a codiretora do laboratório, Gleyci Moser, professora da Faculdade de Oceonografia (Faoc) da Uerj, o novo laboratório consolida uma colaboração científica franco-brasileira iniciada há cerca de duas décadas, dedicada ao estudo dos impactos da eutrofização em ecossistemas marinhos tropicais. Esse fenômeno é caracterizado pelo aumento da quantidade de nutrientes, especialmente nitrogênio e fósforo, no ambiente aquático. Pode ocorrer por causas naturais, mas acontece também como resultado da ação humana.
“A criação do IRL-Marel responde a um desafio ambiental crescente: a rápida expansão de grandes aglomerações urbanas ao longo das zonas costeiras tropicais, frequentemente associada a baixos índices de tratamento de esgoto”, detalha Moser. “Esse cenário resulta na alteração do funcionamento biogeoquímico e ecológico dos ambientes aquáticos, comprometendo serviços ecossistêmicos essenciais à sociedade”.
Localização estratégica para o estudo da eutrofização marinha
Sediado nas dependências da Uerj e da UFF, o laboratório nasce como uma parceria que integra estruturas e equipes dedicadas à pesquisa marinha, e contará inicialmente com uma equipe de cinco pesquisadores, incluindo Gwenäel Abril, do CNRS, que compartilha a direção com a professora Gleyci Moser, da Uerj, e Marcelo Bernardes, coordenador do Programa de Geoquímica da UFF.
Com sua diversidade de lagunas, baías e estuários e uma população de aproximadamente 18 milhões de habitantes, a região metropolitana do Rio de Janeiro constitui um laboratório natural estratégico para o estudo da eutrofização marinha em diferentes escalas espaciais e temporais. O IRL-Marel também prevê estudos comparativos com outras regiões tropicais, como a Guiana Francesa e o Vietnã, contribuindo para o desenvolvimento de modelos conceituais e numéricos capazes de apoiar políticas públicas e ações prioritárias de gestão ambiental em ambientes costeiros tropicais.
O objetivo do IRL-Marel é estruturar e integrar pesquisas em ecologia e biogeoquímica marinha a partir de três eixos transdisciplinares: a propagação da eutrofização na interface continente-oceano, combinando campanhas oceanográficas, análise e calibração de imagens de satélite e modelagem acoplada entre hidrodinâmica e biogeoquímica; as respostas dos ecossistemas de manguezais à eutrofização, com ênfase na vulnerabilidade do carbono estocado em seus solos diante do aumento do aporte de nutrientes; e as transformações nas comunidades biológicas, incluindo as condições de surgimento de florações algais tóxicas e alterações fisiológicas ou morfológicas em organismos utilizados como bioindicadores.
O projeto tem o apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária com o Brasil (Capes/Cofecub).