Uma alternativa de baixo custo remove substância das águas com a utilização de algas e produz massa com valor comercial
Estudos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) desenvolveram uma técnica que remove 100% o nitrogênio amoniacal das águas, em uma velocidade pelo menos três vezes mais rápida que os métodos utilizados até então. As pesquisas foram desenvolvidas pela doutora Camylle Scheliga e a doutoranda Letícia Bignon sob a orientação da professora Mônica Calderari, do Instituto de Química da Uerj, e da química Claudia Teixeira, do Instituto Nacional de Tecnologia.
Normalmente, o poluente é removido por meios químicos ou por processos biológicos complexos que demandam tempo, são caros e não asseguram a remoção total na água residual. Calderari explica que a inovação das pesquisas está na utilização de microalgas suplementadas com um composto extraído das indústrias de biodiesel, que seria descartado e é muito mais barato que os normalmente utilizados: o glicerol bruto.
Os resultados alcançados foram surpreendentes na decomposição do poluente. “A nutrição das microalgas envolve até 60% do custo de produção, utilizando suplementação de baixo custo, tivemos uma redução de mais de 95%, o que comprova a viabilidade financeira do bioprocesso”, ressalta Bignon.
Além do bioprocesso ser uma maneira sustentável, barata e eficiente de tratamento das águas, o produto do crescimento das microalgas durante o processo para remoção do nitrogênio amoniacal tem alto valor biotecnológico, diferentemente dos micro-organismos normalmente utilizados nos sistemas. Segundo Scheliga, a biomassa de microalgas para extração dos produtos de interesse industrial pode aumentar os investimentos nos próprios sistemas de tratamento das indústrias, “sendo uma alternativa econômica e sustentável para diminuir a emissão de fontes nitrogenadas prejudiciais aos corpos hídricos”.
O bioprocesso criado contou com investimentos da Faperj, Capes e CNPQ e está em vias de ser patenteado, mas ainda precisa de financiamento para ser testado em larga escala. A expectativa das pesquisadoras é que o mecanismo possa ser empregado como tratamento terciário nos sistemas de tratamento das indústrias e de esgoto doméstico.
Fontes:
Monica Calderari é professora titular de Química da Uerj, mestre e doutora em Química Orgânica e graduanda em Nutrição.
Camylle Scheliga é Doutora em Química Ambiental pela Uerj, Bióloga com ênfase em Microbiologia e Imunologia e mestre em Tecnologia de Processos Químicos e Bioquímicos.
Letícia Bignon é doutoranda em Meio Ambiente, mestre em Engenharia Agrícola e Ambiental, possui graduação em Engenharia de Biossistemas.