Pesquisadores do Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes (Ibrag) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) desenvolvem uma investigação que pode contribuir para a colonização de Marte. Nos últimos três anos, professores, técnicos e alunos vinculados aos departamentos de Biofísica e Biometria e de Biologia Vegetal da Uerj estudam simuladores de solo marciano para o plantio de vegetais.
O professor Cesar Amaral, coordenador do Núcleo de Genética Molecular Ambiental e Astrobiologia (NGA), relata que já foram feitos testes com feijão, tomate e soja, mas ressalta que a grande aposta do estudo é a ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata). “Um tipo de arbusto adaptado a climas mais áridos e solos mais arenosos”, explica.
A professora Norma Albarello, diretora do Ibrag, destaca a tolerância dessa planta a ambientes áridos e sem muita incidência de luz. Ela também complementa que “suas folhas possuem uma alta taxa de proteína, superior ao milho e ao feijão, além de apresentarem uma elevada quantidade de aminoácidos essenciais, fibras e minerais”.
Os simuladores para o cultivo são preparados a partir de informações que vêm sendo colhidas desde 1965, quando os primeiros registros visuais e atmosféricos do planeta começaram a ser feitos. “Em Marte há vários tipos de sedimentos e a gente usa um simulador de solo chamado MGS-1, baseado na mineralogia que vem sendo estudada por diversas missões, em especial as obtidas por rovers – veículos de exploração projetados para se locomover em outros planetas – como o Curiosity, da Nasa”, afirma Amaral.
O Laboratório de Biotecnologia de Plantas (Labplan), coordenado pela professora Albarello, oferece a infraestrutura para os experimentos. Em uma sala de cultivo similar ao que existiria em uma situação de colonização, a “terra” preparada é colocada em tubos de ensaio esterilizados para a germinação das sementes. A equipe, então, acompanha o crescimento das plantas e ordena os achados para que novos ciclos de germinação sejam feitos.
Amaral é pesquisador dos projetos CBPS-Uerj e Criosfera 1 – programas idealizados na Uerj que mantêm módulos de pesquisa na Antártica. Ele reconhece a possibilidade de fazer testes por lá como um passo natural na pesquisa: “se você pensa nas condições de Marte, a baixa umidade, uma temperatura extrema, não existe melhor simulador das condições marcianas do que a nossa Antártica”.
A professora Norma Albarello considera esse estudo essencial dada a relevância do estabelecimento de uma nova linha de pesquisa na Uerj: a Astrobiologia. Conforme ela explica, trata-se de uma área multidisciplinar que já possui muitos avanços no mundo inteiro, envolvendo as agências espaciais.
Fontes:
César Amaral – Prof. Adjunto do Departamento de Biofísica da Uerj e coordenador do NGA
Norma Albarello – Profa. Associada do Departamento de Biologia Vegetal da Uerj, diretora do Ibrag e coordenadora do Labplan